Escrevi um conto hoje. Estava tão bobo tentando escrever livros, quando percebi que devo começar as poucos. Com contos. espero que gostem.
O HOMEM QUE AMAVA (em falta de nome melhor)
Era uma vez um homem que amava. E seu amor era completo, gigante, imensurável. E não correspondido. O homem sofria horrores com essa condição de poder vê-a todos os dias e não tê-la. Ela era sua vizinha. Loira, alta, olhos azuis e pele branca como a neve ( e ele sabia que era branca feito neve, mesmo nunca tendo visto neve na vida real, só em filmes). Ele, feio gordo e careca não tinha coragem de se declarar. Sabia que uma mulher como ela nunca olharia para alguém como ele. Se fosse rico, ao menor teria uma esperança. Mas coitado, estava afogado em dívidas e desempregado. Sem dinheiro e sem amor, essa era sua vida.Sempre que podia, comprava algo para ela. Perfumes, flores, bombons. Mas sem coragem como era sempre os deixava à sua porta, com um bilhete escrito: "De seu Admirador Secreto". E ela parecia gostar. no início pegava receosa a pequena prenda. Agora vinha animada ver qual era o presente que recebera. E era por isso que estava afogado em dívidas, pois não resistia em comprar-lhe pequenos mimos.
Um dia, quando voltava com um buquê de rosas aà tiracolo, atravessando a rua, foi atropelado e morreu. Foi mais um susto do que dor. Quando percebeu que havia sido atropelado já estava no purgatório, no meio do que parecia ser uma sala de esperas de dentista. Com sofás, revistas e música antiga como ambiente. Pegou uma senha e sentou-se numa poltrona confortável e esperava, inconformado. Toda a sua chance de estar com ela havia acabado. Ela estava viva e ele estava morto, nunca teria a chance de se declarar. Estava fadado a passar a eternidade desolado por isso. Nesse mesmo instante, vê passar um diabo, de terno e gravata distribuindo cartões entre os presentes. ao receber o seu, leu o que havia escrito: " Deixou coisas para terminar quando estava vivo? Não se preocupe, procure Fausto, diabo advogado especialista em reencarnações."
Animado ele levantou e foi falar com o diabão de terno.
- Olha, eu quero ressucitar. - disse confiante.
- Hmmm... mas é só ressurreição ou tem mais algum adicional? - respondeu o diabão, como alguém que faz isso milhares de vezes por dia.
- Se possível eu queria que uma pessoa me amasse! - disse todo empolgado para o ser abissal na sua frente.
- Isso custa um adicional, vc deve saber. Quem é essa pessoa? - disse o diabão com idéias na cachola.
- É a minha vizinha!
- Qual delas, a loira de pele branca ou a dona Gertrudes?
- A loira, ela é o meu grande amor. Tudo o que eu sempre quiz foi tê-la ao meu lado. - disse o homem empolgado.
- Certo.. certo.. Reencarnação e um pedido. Isso deve custar uns 12 séculos no inferno. Está tudo aqui nesse contrato, pode ler. E quando estiver pronto é só assinar. - disse o diabão enquanto magicamente um contrato aparecia em suas mãos.
Ansioso para voltar e tê-la em seus braços ele assinou o contrato sem ler as cláusulas. Ele não se importava com o que aconteceria com ele desde que ela retribuísse seu amor. Mal terminou de assinar o contrato ele se viu instantes antes de ser atropelado, no meio da rua, segurando as flores. Para escapar do carro que ia atropelá-lo, deu um passo para trás e o carro passou sem levé-lo. Estava feliz, queria encontrá-la logo. Tão feliz que não reparou na rua, e uma caminhoneta praticamente passou por cima dele, amassando-o todinho.
Já acostumado com a morte, seu espírito atônito viu seu corpo no chão, ensanguentado. Mais atônito ficou ao ver quem dirigia a caminhoneta. Ela. Ela saiu preocupada, viu que havia atropelado seu vizinho e estava brava com o fato dele não perceber que ela vinha com o carro. Pegou as flores e leu o bilhete que estava nelas. Jogou-as no chão com desdém e vociferou palavras contra o defunto. Enquanto algo lhe puxava para as profundezas da terra, ele só conseguiu ouvir algumas das palavras.que eram direcionadas a ele. Estrupício, nojento e imbecil. ele soltou o corpo (ou deveria dizer espírito) e deixu-se levar para as profundezas do inferno, amargurado.
Espero que tenham gostado.